Desenhos aos Montes - Lugar Cativo...

"Desenhos aos Montes" apresenta-se como exercício de desenho intuitivo que deseja expandir território na contextualização paisagística de objectos tridimensionais anteriormente empreendidos no âmbito escultórico. Por força da necessidade em explorar novos e envolventes cenários montanhosos, cujo pretexto arranca da estrutura do objecto Cadeira, nasce a série de desenhos "Lugar Cativo".
O desenho "Lugar cativo" versa, na continuidade do trabalho de escultura desenvolvido nos últimos dois anos, sobre a legitimidade metafórica da Cadeira como Lugar, fruto manifestação, extensão e confirmação da presença humana. Por outro lado, a Montanha surge, mais uma vez, como símbolo de esforço e consequentemente conquista a um patamar sublime de introspecção; da urgência de compreensão, numa perspectiva elevada, acerca do "mundo" envolvente. Por isso, continua sendo, num registo auto-biográfico, uma incessante busca do melhor ponto de vista da consciência primeira do Eu e da procura do Outro.

Porto, 2008

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/ Lugar Cativo #1 /


/ Lugar Cativo #2 /


/ Lugar Cativo #3 /


/ Lugar Cativo #4 /

Believe! There´s always a better place...

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Poderia escrever muito sobre, mas no fim continuaria com a incerteza daquilo que realmente me motivou para produzir, ao longo dos últimos meses, este trabalho, muito mais ainda sobre o que ele poderá vir a oferecer...
Também, seria arriscado confirmar que ele se debruça sobre os condicionalismos comunicativos nas relações interpessoais. Mais ainda, que é o eco de um exercício de auto-conhecimento...
No entanto, asseguro que tive um forte ímpeto para erguer montanhas, pelas quais gostaria de escalar até ao topo, na esperança de, num belo dia de céu limpo, encontrar o melhor lugar e compreender o que sucessivamente acontece.
Enquanto as construí deambulei muito e cheguei, por ora, à conclusão de que, afinal e sempre, tudo se passa na nossa mente e o que nos resta é esperar pelo tempo, sempre sábio nas suas respostas.
Até lá, continuemos a brindar, e, quiçá, quando menos esperarmos, num dia de verão, iluminados pelo vento que sussurra, duvidaremos daquilo que achávamos certeza; embriagados pelo cheiro a terra molhada, lembrar-nos-emos que afinal ainda temos forças de sobra...

Porto, Agosto de 2007

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/ Believe! /


/ (panorâmica geral) /


/ Escalada nº2 /


/ Escalada nº3 /


/ Já não sei se amanhã continuo à tua espera /


/ Afinal hoje está um belo dia de sol /


/ Último fôlego para lá da cordilheira /


/ Escalada nº1 (pormenor) /




Oscilações do pensamento...

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Vou lá muitas vezes, no mínimo uma vez por semana. Já vão seguramente 4 anos!
Entro sem hesitar. Cumprimento de raspão o homem do costume com um aperto forte de mão. Não perco tempo. De passada larga e olho bem atento corro tudo. Já conheço os cantos à casa. O movimento da cabeça não pára; ora à esquerda, ora à direita, acima e abaixo, descrevendo animações rápidas mas atentas. Estou acostumado, já não me perco.
Maior parte das vezes não pressinto o que procuro mas tenho a certeza que vou encontrar.
O ar é intenso. O ambiente vislumbra-se nem muito claro nem muito escuro, é apertado contudo. Os odores misturam-se. Sente-se a presença da madeira velha, gasta, mal tratada; adivinha-se o cheiro a mofo, a rançoso; cheira a usado, desconhecido, a abandonado, mas também cheira a cera de abelha a tentar disfarçar.
Tem lá de tudo: objectos pequenos, maiores, enormes, completos, disformes, imperfeitos, desfeitos; objectos originais, invulgares, coloridos, brilhantes, simpáticos, familiares, quotidianos; outros pirosos, excêntricos, insuportáveis, apáticos. Todos eles com um denominador comum: deixaram de servir, foram preteridos, rejeitados. São todos objectos em segunda ou terceira e quarta mão quiçá. Uns ficam, outros vão, outros ainda acabam de chegar. Fico atento ao vai e vem...
Lá ao fundo, onde se perde a noção da perspectiva, encavalitada sobre uma espécie bizarra de armário, ergue-se imponente uma Cadeira. Aproximo-me...
- Uma bela cadeira! - Exclamam os meus olhos esbugalhados. Antiga, forrada de tecido coçado, roto nos cantos mais previsíveis. Convencida que é a mais perfeita de todas. Era porventura uma cadeira de mesa de sala. Provavelmente fora separada das irmãs. Talvez tenha desertado, ou pior, substituída por uma outra sem dúvida menos formosa. Entre as demais nenhuma se apresentava tão deslumbrante: de pernas roliças, bem torneadas, de costas firmes, segura de si. O verniz estalado denunciava uma história preenchida.
Que mãos lhe deram vigor? Quantos se sentaram nela? Quantas vezes ofereceu descanso ao mais fatigado de todos? Quantas vezes reservou lugar para a mais completa das refeições? A quem jurou fidelidade eterna? Quem se esqueceu dela, a abandonou?
Já não interessa. A partir de agora é minha! Quem foi ao ar perdeu o lugar.
Fui eu o escolhido. O seu novo proprietário. Agora o seu destino pertence ao programa das minhas motivações. Vou oferecer-lhe outra oportunidade, atribuir-lhe nova família, uma nova orientação, qualidade proporcional à sua envergadura, à feição do seu vulto, à genuidade da sua estrutura.
Aproximo-me novamente do homem: - Dez euros!? Compro!

Porto, Outubro de 2006

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/ Estágio I /


/ Estágio II /


/ Estágio III /


/ Estágio IV /



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Tenho a certeza que na maior parte das vezes fico para sempre perto de ti...

A instalação que se apresenta surge na sequência de um percurso de trabalho que procura através da metáfora da natureza contar pequenas histórias auto-biográficas onde a Montanha se ergue como revelação de esforço e conquista e a Árvore se implanta como símbolo de reflexão e sapiência. O objecto banco estrutura-se como mecanismo individualizador, conferindo identidade próprio às personagens retratadas.
Esta particular história com dois actores completa-se com a contra-encenação de uma caixa que se assume, inicialmente, como contentor de transporte e armazenamento da paisagem ambicionada e que contribui, decisivamente, para o desenrolar da narrativa. Adivinha-se que o contacto estabelecido entre as duas personagens se perpetue no interior da caixa. Esta ganha natural protagonismo como parte integrante do conjunto, pois, aquando o fugaz momento expositivo, passa a revelar o seu conteúdo, transformando-se assim num privativo e especial plinto.

Porto, 2007




Tudo sobre rodas...

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...Apesar de percepcionarmos o espaço que nos rodeia e as prováveis consequências do seu envolvimento, tendemos, por diversas razões (muitas delas misteriosas), a resistir-lhe, como se de uma redoma necessitássemos de construir à nossa volta para nos protegermos das agressões vindas do exterior.
Felizmente, há alturas, em que quando solicitados, sentimo-nos encorajados em quebrar essa mesma redoma e com audácia explorar o mundo novo. - É tempo de deixar o que está para trás e "fazermo-nos à estrada". O mundo exterior passa a revelar-se cada vez mais sedutor à medida que o conciencializámos. É entretanto nessa altura que resolvemos que caminhos percorrer, quais as direcções a tomar.
Quando em vez, adaptámos mecanismos de orientação porque nos sentimos algo perdidos, confusos perante tanta informação diante dos nossos olhos.
Reorientados, tomamos então opções! É quando queremos deixar a nossa marca porque descobrimos terreno fértil para investir. Invadimos o espaço encontrado e plantámos a nossa árvore, ali, junto das outras, para um dia mais tarde colher frutos.
Entretanto, ao longo da viagem, encontrámos um outro que também navega à procura do seu rumo. Estabelecem-se pontos de contacto. Construímos uma ponte de ligação, maior parte das vezes frágil porque tendemos a desconfiar. Contudo, permitimos a que esse outro nos venha visitar, porque lá no fundo queremos sempre partilhar.
E lá vamos nós por aí, "com a casa às costas" de lugar em lugar, contactando este e aquele, descobrindo isto e aquilo, e onde claro, tudo pode acontecer, e acontece mesmo!
A viagem continua e sentimo-nos bem, porque não estamos só...
Tudo sobre rodas, como diria o meu novo amigo.

Porto, 15 de Dezembro de 2005

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/ Quebra da Redoma /


/ Auto-Orientação /


/ Bem vindo /


/ Convite para um chá /


/ Convite para um chá /


/ Contador de histórias /

Estarrecidos, esbugalhados e afins... (2002/03/04)

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Existe algures no espaço um ponto
Um ponto que concentra todos os olhares
Um ponto que cruza os olhares entre os que estão do lado de lá e os que estão do lado de cá
Um ponto que é momento de inversão
Os do lado de cá passam para o lado de lá, os do lado de lá passam para o lado de cá
Os do lado de lá passam de observadores para observados, os do lado de cá passam de observadores para observados



Intencionalmente, o projecto estarrecidos, esbugalhados e afins procura reflectir em que circunstâncias espaciais e emocionais o observador se deve relacionar com um determinado grupo de figuras que o convida a aproximar. É na produção de figuras específicas, total ou parcialmente modeladas em barro, que se tenta conjecturar sobre como determinados objectos, supostamente alvos de observação, oferecem uma experiência perceptiva magnetizante a quem os vê, quando, a determinado momento, estas se convertem em observadores. Por isso, todo o trabalho evolui em torno da possibilidade de, para quem o experimenta, participar no momento em que toma consciência que está a ser observado.
A produção das figuras concentra-se na ideia do pequeno formato, não só como imagem detonadora de uma nova escala como, e principalmente, portadora de novos significados no triângulo que constrói em conjunto com o espaço que esta ocupa e o suposto observador que ela convida a participar. Esta desejável relação produtora de intimidade, acelerada à medida que o tamanho das figuras diminuem em relação ao corpo do observador, obriga a reavaliar a orientação espacial deste, promovendo a sua participação numa cena que reconsidera os propósitos de uma ideia de escultura que continua a debater-se entre as imediações do grande e do pequeno, do público e do privado.
Na caracterização das pequenas figuras, o rosto, pelo seu grau de expressividade, torna-se na região privilegiada, o que implica o estabelecimento de um reportório de signos à medida que as figuras se vão revelando. Os olhos ultrapassam a mera descrição anatómica para se assumirem, na expressividade do modo de olhar, como elementos cruciais na comunicação com o observador. Tal preocupação faz com que o tamanho e profundidade das pupilas sejam exaltados. De olhar profundo, as figuras observam, questionam e denunciam quem se intercepta com elas. Os movimentos dos seus corpos correspondem a uma determinada reacção. As posições dos seus corpos, calmas ou expansivas, pressupõem uma atitude. O movimento das partes, particularmente da cabeça, mãos e/ou braços, fazem suspeitar um gesto condicionado, uma reacção. Os sentimentos são ilustrados por movimentos da cabeça: a surpresa do encontro com o observador envia-a para trás; a obstinação mantém-na direita; a curiosidade inclina-a para a frente.
A comunicação entre as duas partes é inaugurada quando, por sua vez, o observador que, desesperadamente deambula à procura de significados, descobre, em determinado momento, um ponto virtual suspenso no ar: o ponto onde os olhares das figuras se cruza com o olhar deste. No momento em que o contacto se estabelece as figuras conquistam o seu verdadeiro significado: elas observam-nos a observá-las! São observadas por aqueles que elas observam.
Em suma, este projecto procura provocar um encontro íntimo e mudo a quem o experimenta. Desejavelmente poderá despertar um estranho desassossego ou arrepio, um embaraço, uma inquietação ou incómodo. Não é senão um jogo entre dois universos que se cruzam e se confundem; um encontro entre duas entidades que se vêem e se fazem ver.

Porto, Março de 2003

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